quinta-feira, 30 de março de 2017

Análise séries - Punho de Ferro


Punho de Ferro, série original da Netflix, que adapta mais um herói do universo Marvel, com Finn Jones no papel principal, ao lado de Jessica Henwick, Tom Pelphrey e David Wenham, lançado diretamente no Netflix, em 13 episódios em 17 de março de 2017.

É inegável, a parceria entre Netflix e Marvel rendeu excelentes frutos, começando com Demolidor, passando por Jessica Jones, Luke Cage e finalmente Punho de Ferro. A qualidade das séries do serviço de streaming é invejável e o trabalho feito com os heróis Marvel deixou a maioria dos fãs satisfeitos. Punho de ferro a última série antes da união dos heróis em Defensores, não tinha me gerado grandes expectativas confesso, porém o mínimo esperado era que o nível das séries anteriores fosse mantido. Infelizmente nem tais expectativas não foram atendidas.

A trama nos mostra um Danny Rand retornando à Nova York após 15 anos da sua suposta morte, buscando retomar o contato com a única família que lhe restou, os irmãos Meachum, seus amigos de infância, mas Joy e Ward recebem Danny com desconfiança, tratando-o como um lunático e possível golpista. Enquanto tenta provar que é de fato Daniel Rand, o protagonista descobre que a organização Tentáculo está na cidade e que pode estar envolvida com o trágico acidente que matou os seus pais.

A premissa de Punho de Ferro até que é interessante no começo, porem a narrativa se demonstra arrastada e algumas decisões de roteiro carecem de cuidado, fazendo da história cheia de altos e baixos, deixando tudo muito desinteressante. Podemos dividir a trama de Punho de Ferro em duas partes, primeiro tempos os jogos corporativos envolvendo as empresas Rand e a família Meachum, Ward personagem interpretado por Tom Pelphrey, é um executivo frio, mesquinho e manipulador, já a sua irmã Joy, apesar de ser uma personagem forte e determinada, me pareceu sem propósito, ambos acabam sendo ofuscados por seu pai Harold, que manipula tudo pelas sombras, após a sua suposta morte. Harold é muito bem interpretado por David Wenham, entregando um vilão, frio, controlador e cruel, porem que acaba sendo ofuscado pelo excesso de antagonistas apresentados na trama. Os dramas da família até são interessantes, mas acabam se tornando a parte cansativa da narrativa, principalmente o relacionamento abusivo entre Harold e Ward, pois se arrastam até o último episódio para ter uma resolução um pouco forçada.

Na segunda parte da história, temos Danny enfrentando o Tentáculo, que convenientemente são inimigos declarados de K'un-Lun, estando infiltrados nas empresas Rands e supostamente causaram a morte dos pais do protagonista. O Tentáculo foi inserido na trama de Punho de Ferro claramente para atender a necessidade de fazer uma conexão com a série do Demolidor, além de ser um ponto de partida para a série dos Defensores. Porém a forma que a organização foi representada acaba enfraquecendo sua real ameaça, o Tentáculo de Punho de Ferro é mais contido e pouco ameaçador, não mostrando toda a sua face mística, algo que seria perfeito para série e esse talvez seja um dos principais erros de Punho de Ferro, a falta de misticismo, tudo é muito comedido, tímido e realista, a mítica K'un-Lun,é citada por diversos momentos, mas nunca aparece de forma clara, e o poder do personagem é utilizado em pouquíssimos momentos e sempre de forma rápida, o punho "flamejante" aparece e quando você menos espera já não está mais lá.

Outro agravante é o pouco carisma do protagonista, o Daniel Rand da Netflix é um personagem confuso, sem proposito, com temperamento explosivo quando pressionado, algo incoerente pois após 15 anos de treinamento o mínimo esperado era um personagem com maior autocontrole, além disso Danny Rand é extremamente ingênuo, sendo facilmente manipulado em diversos momentos. Por sorte temos bons personagens ao lado do protagonista, como Colleen Wing que além de interesse amoroso se torna uma grande aliada do herói, apesar da reviravolta desnecessária nos últimos episódios. Além de Colleen, os personagens como Davos e Bakuto foram boas adições à trama, apesar de carecerem de um maior desenvolvimento, com certeza o final da história ganharia mais peso se o relacionamento de Danny e Davos tivesse ganhado uma maior atenção.

Os combates apresentados são competentes e satisfatórios, porém essa é uma série do Punho de Ferro, um mestre nas artes marciais, o mínimo esperado era combates tão incríveis quanto os vistos em Demolidor e além, algo que se tornasse referencia em termos de artes marciais, mas o que vemos é algo novamente contido, que não impressiona e não enaltece as habilidades marciais do personagem. Lembram da intensa luta do Demolidor com um ninja na primeira temporada? Você não verá nada semelhante aqui, alias não verá nem ao menos ninjas tradicionais. Algo que é extremamente frustrante. 

Infelizmente Punho de Ferro é uma série abaixo da média, com uma boa proposta, mas mal desenvolvida, com um protagonista confuso e pouco carismático, com ótimas cenas de ação, mas que não superam as expectativas e uma trama sem propósito não focando em um único antagonista, tornando a história desinteressante. Fica a expectativa para que a série dos Defensores apresente um Punho de Ferro mais próximo do herói dos quadrinhos e que o personagem consiga se destacar ao lado de Demolidor, Luke Cage e Jessica Jones.



Informações adicionais:
Nota Geral: 6,0.
Quantidade de episódios: 13.
Melhor momento: O confronto entre o Punho de Ferro, Bakuto e Colleen Wing.

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